
Caos, caos,
em demanda por actos e palavras do futuro.
Não, não existo neste corpo! Neste corpo não voo nas asas dos pássaros invisíveis.
E partiram já as aves de mil cores, salpicadas de estrelas,
tão longe, para tão longe.
Jamais lhes chegarei na forma atroz e pesada que me limita e encerra.
Caos e escuridão. Distante a luminosidade que outrora transbordou no meu coração.
Caos, porque ontem, outrora num passado-futuro, fui capaz de abraçar o Universo.
E partem os pássaros!
Partem e com eles levam as asas de mil cores...
esqueceram-se de mim!
Talvez
possa partir nas asas do Tempo
atravessar as altas florestas de sonho,
Sagrado Tempo que vem
e escuto a canção de ir, deixo-me ir,
deixo-me ir...
No infinito esqueço o corpo, abandono o lastro da memória.
No caminho, a cada passo, a liberdade.
Um dia houve, sim, que corri
e em campos abertos, longínquos, estendi as asas e parti.
Abracei-te na Luz, sem medo de partir.
Olho para trás, os meus passos esqueceram-se das Estrelas.
(Sentir e Ser - 2013)