Olha-me,
olha-me longamente.
Profundamente.
Quero ver os teus olhos,
paz e brilhos de sol.
Segreda-me
palavras de Luz.
Abraço-te,
abraço-te para sempre
num abraço diluído.
Quero em ti me confundir e fluir
num tempo sem pressa.
Quero escutar os teus pensamentos
e pensar-te os meus.
Quero percorrer a noite
abraçada nos teus abraços,
partir à deriva no Céu e juntos
trazermos nos corpos,
a Luz do amanhecer.
Quero o mágico toque do Amor,
Verdadeiro e Livre.
Quero que depois de ditas e sibiladas
todas as palavras,
na plenitude de todos os gestos,
sejamos apenas nós
caminhantes descalços e livres,
unos na longa via do Amor.
(Sentir e Ser - 2011)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
SÊ PRIMAVERA
Vai! Sai! Encontra e saúda a Primavera,
entrega-te e descobre o teu coração,
embriaga-te da doçura terna
do cheiro da água,
do verde e das cores
que explodem em mil tons.
Embriaga-te de Vida,
ainda que seja,
pela
última
vez.
(Sentir e Ser - 2011)
entrega-te e descobre o teu coração,
embriaga-te da doçura terna
do cheiro da água,
do verde e das cores
que explodem em mil tons.
Embriaga-te de Vida,
ainda que seja,
pela
última
vez.
(Sentir e Ser - 2011)
TEMPOS DE IR
Outras Noites,
outros Tempos,
te seguirão.
Nada temas,
pensa com os teus sonhos.
Não procures arduamente
as respostas.
Todas as questões irão pairar,
e voar para longe.
Vê o Sol, começa um novo dia,
num país longínquo,
que não conhece o medo.
Fica comigo, em todos os sonhos.
Não receies, segura a minha mão,
voa comigo, ao meu lado,
esperarei por ti, sempre.
(Sentir e Ser - 2011)
outros Tempos,
te seguirão.
Nada temas,
pensa com os teus sonhos.
Não procures arduamente
as respostas.
Todas as questões irão pairar,
e voar para longe.
Vê o Sol, começa um novo dia,
num país longínquo,
que não conhece o medo.
Fica comigo, em todos os sonhos.
Não receies, segura a minha mão,
voa comigo, ao meu lado,
esperarei por ti, sempre.
(Sentir e Ser - 2011)
quinta-feira, 19 de maio de 2011
PRIMEIRO ABRAÇO
Livre, livre, livre, livre,
livre o Amor,
após o primeiro abraço.
Seremos nós tudo?
Diz com os teus olhos,
o que sentes.
Diz com os teus olhos,
no silêncio,
o que se completa no teu coração.
(Sentir e Ser - 2011)
livre o Amor,
após o primeiro abraço.
Seremos nós tudo?
Diz com os teus olhos,
o que sentes.
Diz com os teus olhos,
no silêncio,
o que se completa no teu coração.
(Sentir e Ser - 2011)
quarta-feira, 30 de março de 2011
SERES TERRA - Ode a uma Terra longínqua
Pequeno, pálido, um ponto azul...
Derivas só, numa via de poeiras.
Longe do centro, dizem-te em órbita,
no braço exterior de uma imensa espiral.
Não sei se cabes na palma da mão da Ilusão,
tu e a espiral e todas as poeiras,
exóticos e cintilantes faróis,
desta vastidão de negro.
Não sei se cabes na explicação da Razão,
tu e todos os cenários e acções,
evoluções e extinções,
deste vastíssimo vazio.
Palco sagrado, de Vida exaltante,
oceanos de brancos véus te cruzam,
cascatas vaporosas de chuvas evaporadas.
Líquido e azul preenche e ondula,
corre e atravessa ancestrais cicatrizes,
memórias de um anoso nascimento.
Gigante palco, de vida fulgurante. Sagrado!
Vestes verdes majestosos e dourados ardentes.
És corredor de todas as existências,
jardim de milhões de cores e odores
abundas de alma e ânimo de vida que flui.
Nos tempos idos, ficou a tua paisagem,
encerrados os Ciclos e as Eras.
Talvez, passadas Eras de vermelho te tingires,
inflamada e fundida na estrela que te ilumina,
sejas fugaz e refulgente recordação
em remotos universos.
Quiçá, ecos de ti ressurjam.
Num assomo de ousadia, qual navegador
num mar desconhecido, lançámos-te,
Terras de ti, além-espaço.
Náufragos errantes,
sonhámos quem nos salvasse da solidão!
Numa pioneira e complexa garrafa,
encerrámos a nossa chave.
Quão longe, quão distante no tempo?
Contornos esfumados de um mapa perdido,
fantasmas de seres cravados na eternidade,
vozes e lamentos de uma humanidade perdida.
Ecos e canções de uma Terra longínqua,
passada e em cinzas talvez dispersada.
Encerrados os Ciclos e as Eras,
perdida em tempos idos, ficou a tua paisagem
e os Seres, que de Vida, te sacralizaram!
(Sentir e Ser - 2011)
Derivas só, numa via de poeiras.
Longe do centro, dizem-te em órbita,
no braço exterior de uma imensa espiral.
Não sei se cabes na palma da mão da Ilusão,
tu e a espiral e todas as poeiras,
exóticos e cintilantes faróis,
desta vastidão de negro.
Não sei se cabes na explicação da Razão,
tu e todos os cenários e acções,
evoluções e extinções,
deste vastíssimo vazio.
Palco sagrado, de Vida exaltante,
oceanos de brancos véus te cruzam,
cascatas vaporosas de chuvas evaporadas.
Líquido e azul preenche e ondula,
corre e atravessa ancestrais cicatrizes,
memórias de um anoso nascimento.
Gigante palco, de vida fulgurante. Sagrado!
Vestes verdes majestosos e dourados ardentes.
És corredor de todas as existências,
jardim de milhões de cores e odores
abundas de alma e ânimo de vida que flui.
Nos tempos idos, ficou a tua paisagem,
encerrados os Ciclos e as Eras.
Talvez, passadas Eras de vermelho te tingires,
inflamada e fundida na estrela que te ilumina,
sejas fugaz e refulgente recordação
em remotos universos.
Quiçá, ecos de ti ressurjam.
Num assomo de ousadia, qual navegador
num mar desconhecido, lançámos-te,
Terras de ti, além-espaço.
Náufragos errantes,
sonhámos quem nos salvasse da solidão!
Numa pioneira e complexa garrafa,
encerrámos a nossa chave.
Quão longe, quão distante no tempo?
Contornos esfumados de um mapa perdido,
fantasmas de seres cravados na eternidade,
vozes e lamentos de uma humanidade perdida.
Ecos e canções de uma Terra longínqua,
passada e em cinzas talvez dispersada.
Encerrados os Ciclos e as Eras,
perdida em tempos idos, ficou a tua paisagem
e os Seres, que de Vida, te sacralizaram!
(Sentir e Ser - 2011)
DEMANDA
Demorada é a Noite
em que perdida demando
um fragmento de Luz, um farol.
Num corpo que ecoa,
de tudo o que me flui e confunde,
nas mãos que te sentem e percorrem,
sou tantas vezes brisa e mar,
cristalina gota de água salpicada,
sal e sol,
árvore e ave, folha seca e chuva,
pedra ou cor
do que vislumbras e julgas ver.
Na busca da Luz,
assumo a vastidão,
encontro a Eternidade.
Nunca morri, nunca nasci.
(Sentir e Ser - 2011)
em que perdida demando
um fragmento de Luz, um farol.
Num corpo que ecoa,
de tudo o que me flui e confunde,
nas mãos que te sentem e percorrem,
sou tantas vezes brisa e mar,
cristalina gota de água salpicada,
sal e sol,
árvore e ave, folha seca e chuva,
pedra ou cor
do que vislumbras e julgas ver.
Na busca da Luz,
assumo a vastidão,
encontro a Eternidade.
Nunca morri, nunca nasci.
(Sentir e Ser - 2011)
ECOS (sem título)
Quando avistas um pássaro,
esvoaçante no azul,
qual dos dois voa mais alto?
_______________________________
Nunca compreenderás,
os sonhos que ficaram para trás.
________________________________
Nada do que digo,
vale a pena ser lido.
________________________________
Parei,
parei tanto,
que raízes criei
e Árvore me tornei.
esvoaçante no azul,
qual dos dois voa mais alto?
_______________________________
Nunca compreenderás,
os sonhos que ficaram para trás.
________________________________
Nada do que digo,
vale a pena ser lido.
________________________________
Parei,
parei tanto,
que raízes criei
e Árvore me tornei.
FUSÃO EM CORES
ENTARDECER
Deviam proibir as andorinhas,
que me trazem passados de Verão.
Deviam proibir as andorinhas,
que me evocam véus dourados de entardecer
e me cruzam de dor o coração.
Deviam proibir os seus aguçados gritos,
que me ecoam palavras entardecidas,
brisas tépidas de pálidas estrelas lavradas
e trazem cheiros de terras idas.
Deviam proibir os seus voos,
que desenham colinas de searas selvagens,
pintam anil no céu que escurece.
De voos embriagados,
trazem a promessa de um dia novo,
lembram que se estende o oceano mar,
para lá do horizonte...
No corrupio das suas últimas partidas,
chamam por mim e recordam-me,
abruptamente,
que de um sonho inesperado despertei,
que como elas não voo com o crepúsculo,
não me banho do ar dourado do anoitecer.
Com elas, não transponho a vastidão dos mares para além do sol!
Deviam proibir as andorinhas, que me lembram a liberdade...
Deviam proibir as lágrimas, que me rolam pelo rosto...
Deviam proibir que fossemos roubados à eternidade!
(Sentir e Ser - 2011)
que me trazem passados de Verão.
Deviam proibir as andorinhas,
que me evocam véus dourados de entardecer
e me cruzam de dor o coração.
Deviam proibir os seus aguçados gritos,
que me ecoam palavras entardecidas,
brisas tépidas de pálidas estrelas lavradas
e trazem cheiros de terras idas.
Deviam proibir os seus voos,
que desenham colinas de searas selvagens,
pintam anil no céu que escurece.
De voos embriagados,
trazem a promessa de um dia novo,
lembram que se estende o oceano mar,
para lá do horizonte...
No corrupio das suas últimas partidas,
chamam por mim e recordam-me,
abruptamente,
que de um sonho inesperado despertei,
que como elas não voo com o crepúsculo,
não me banho do ar dourado do anoitecer.
Com elas, não transponho a vastidão dos mares para além do sol!
Deviam proibir as andorinhas, que me lembram a liberdade...
Deviam proibir as lágrimas, que me rolam pelo rosto...
Deviam proibir que fossemos roubados à eternidade!
(Sentir e Ser - 2011)
IN EXISTIR

Correr,
correr sem impedimento,
fustigada pelo ar,
sufocada pelo vento.
Espraiar os braços;
deste corpo abandonar-me!
E partir...
Desvendar horizontes sem fim,
diluídos na ilusão.
Ir mais além,
encontrar
e saciar,
nas fontes que jorram,
a sede que me consome.
Encontrar O que não morre,
porque nunca existiu,
em fusão no Todo,
ser uno no nada
e de nada e tudo
inexistir.
SILÊNCIOS DE LUZ

Diz-me, diz-me no instante
o que te percorre!
Diz-me de repente
o que sentes!
Diz-me o que te esmaga
o que te sufoca,
o que te emudece
o que te enraivece
diz-me,
sim diz-me!
Diz-me sem medo
sem hesitação e sem murmúrio,
num grito bradado
e nunca velado, sonhado ou emudecido.
Não cales,
não me cales a vontade de saber!
Não me impeças de conhecer a
essência da tua dor,
a clareza do teu contentamento.
A não ser,
que se assome o som,
o timbre de silêncio que escutas,
luminoso e brilhante no fundo de ti...
A não ser que te encontres
naquele que não tem nome,
naquele que tudo extingue.
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
ARVOREAR
Corro e percorro-te,
sufoca-me como punhais,
o gélido da noite.
Impele-me o vento
floresta adentro.
Vestes perdidas,
descalça, no castanho
que se entranha
num chão de folhas
em tapete tecido, escuto.
Distante um nome de terra,
esquecido.
Apelo que vocifera e explode no peito,
coração que já não bate,
dispersado, dissipado,
diluído, no rio que me flui.
Abrem-se as entranhas da terra,
largos veios à minha passagem,
longos os dedos em raízes tornados.
Um sopro sufocado, o ar que me abraça,
oferenda-me a Luz
que é meu alimento.
Ramos de braços feitos,
prolongam-se e beijam a Lua
as estrelas dançam-me segredos de vento.
Dialectos de folhas murmuram-se,
em meu redor.
Evoco tudo isto,
Acedo ao que já fui.
Amanhã, virei fazer um ninho em meus ramos.
Sou quase eterna!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Finais de Fevereiro... vislumbre de Primavera

O Inverno, de Sol disfarçado,
ilude com cheiros primaveris;
o Vento, também convidado
não se fez rogado e dança neste baile feliz.
Acompanha-o a Brisa suave,
com grinaldas e flores enfeitada,
veio a orquestra dos pássaros,
de trovas e canção afinada.
Véus de nuvens o azul desfiam,
no céu dourado o entardecer,
mais longos os dias anunciam,
a Primavera é lesta a aparecer.
Primavera Rainha que chegas,
ainda que um pouco adiantada,
às árvores prendas entregas,
numa Festa por ti orquestrada.
Saúdam-te todos os seres,
e embora de chuva disfarçada,
espalhas amores e quereres
e odores de terra molhada.
És gloriosa oh Primavera,
Rainha de todas as estações,
quando despertas as folhas,
inflamas ledos corações.
És a maestrina da Vida,
fazes obras-primas com cores,
em breve o Amor se convida,
de beijos sob as tuas flores.
(Sentir e Ser - 2011)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
EFÉMERO

Não viverei!
Não viverei que chegue
para amar,
tudo
o que há para amar.
Não viverei que chegue
para abraçar
tudo
o que contém um abraço.
Não viverei que chegue
para cheirar,
para rir e chorar,
para recordar...
tanto
que há para lembrar.
Não viverei para aprender
a língua dos pássaros,
o dialecto das árvores,
ou voar num dente-de-leão.
Não, não me chega o tempo,
para saber o gosto da luz do Sol,
entender o murmúrio do vento,
e a cantiga que traz a chuva.
Não viverei,
para saber de que
cor é o Branco.
Não viverei o tempo,
para chegar a entender
toda a Sabedoria do mundo,
escutar as palavras,
sons e melodias.
Levaram de mim a Eternidade,
sem meu consentimento,
fiquei nas mãos do Tempo!
Para trás, o negro,
e nos dedos,
o pó
que sobra das oferendas da Vida.
Não viverei, mas encurto os passos,
num caminho tecido de vagar,
para que caibam em mim
o Amor e os abraços,
o riso e as lágrimas,
as lembranças e memórias
as cores e os sabores,
os sons e os odores...
da sabedoria do meu mundo.
Não, não viverei...
e
não te concedo tréguas!
(Sentir e Ser - 2011)
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
FUTURO

Um Ícaro de papel vou erguer à Lua,
enquanto baleias voadoras e mantas planadoras
vagueiam sob o céu violeta.
Vou ver seres, homens e mulheres,
que hibernam pacientes.
Aguardam pensamentos de cristal,
para irem envergar,
asas de cores translúcidas.
Ocultas no mar sereno,
brincam medusas de água,
brilham os sonhos de crianças,
com risos de gaivota.
E os cavalos-marinhos,
trazem melopeias
para dançar com as anémonas.
Véus de esmeralda gentis,
encobrem delicados girassóis,
que nascem,
para dançar com as anémonas.
Véus de esmeralda gentis,
encobrem delicados girassóis,
que nascem,
em busca do Amarelo.
Vou soprar grãos de areia
e germinar estrelas do mar.
A canção dos golfinhos
dirá palavras do futuro,
memórias do que poderia ter sido.
Vou agarrar sóis radiantes com as minhas mãos,
e semeá-los numa terra azul.
Tudo isto eu verei,
tudo isto farei.
Vou soprar grãos de areia
e germinar estrelas do mar.
A canção dos golfinhos
dirá palavras do futuro,
memórias do que poderia ter sido.
Vou agarrar sóis radiantes com as minhas mãos,
e semeá-los numa terra azul.
Tudo isto eu verei,
tudo isto farei.
(Sentir e Ser - 2011)
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
CÁRCERE
Quem ousou aprisionar-me
neste túmulo?
Quem roubou a minha liberdade?
Não mais, o voo nas asas do Pássaro Invisível,
não sopro com o vento num céu despido de Inverno.
Deixei de me confundir na luz,
braços não tenho para abraçar o ar,
outros mundos não percorro,
presa,
neste excrucitante corpo.
Caminho contudo,
no desalento.
Desespero, numa onírica visão
sem fronteiras.
Desperto, num agonizante grito de dor.
Liberdade, brado eu!
Morte, sussuram eles...
Afasto as cortinas, eis que flui luz.
(Sentir e Ser - 2011)
neste túmulo?
Quem roubou a minha liberdade?
Não mais, o voo nas asas do Pássaro Invisível,
não sopro com o vento num céu despido de Inverno.
Deixei de me confundir na luz,
braços não tenho para abraçar o ar,
outros mundos não percorro,
presa,
neste excrucitante corpo.
Caminho contudo,
no desalento.
Desespero, numa onírica visão
sem fronteiras.
Desperto, num agonizante grito de dor.
Liberdade, brado eu!
Morte, sussuram eles...
Afasto as cortinas, eis que flui luz.
(Sentir e Ser - 2011)
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