quarta-feira, 24 de julho de 2013
PORQUE HOUVE UM TEMPO
Houve um dia em que corremos,
montes e vales adentro.
De mãos dadas corremos
e perseguimos,
flores e borboletas.
Alcançámos as estrelas, lembras-te?
Houve um dia em que corremos
e abraçámos o universo, a Luz do crepúsculo antes da Aurora.
Houve um tempo em que amámos.
Poderei esquecer que te abarquei
na grandeza deste enlace.
Livre, danço e corro.
Olha!
Livre, como sou livre e danço e corro!
Fluo.
Escuta,
persigo um tempo que houve, um tempo que oiço,
ecos de um tempo,
porque houve um tempo que virá.
Morro-me num tempo
que não me detém na infinitude.
(Sentir e Ser - 2013)
TRANSLÚCIDO

Junto às águas murmurantes
respira ténue a brisa do crepúsculo.
Salgueiros e carvalhos sussurram
na anciã linguagem de folhas e água.
Transitam memórias de terra, por entre clamores e silêncios
danço as danças, caminho a passo, cruzo veredas e céus
lugares de tudo o que é, de tudo o que foi,
de tudo o que será.
Repouso na quietude de um grão de Luz.
Translúcido-me...
Nada é,nada há.
(Sentir e Ser - 2013)
terça-feira, 23 de julho de 2013
MAIO
Incapaz
de fazer as pazes
com a falta que me fazes,
guardo rascunhos de ti
no papel da
memória.
Sinto na pele e no corpo
a brisa de Maio, de um Maio qualquer,
um tempo ido...
odor a morangos
e a flores,
a terra molhada.
No teu sorriso gargalhado,
a surpresa do último dia... 31.
Trinta e um de Maio...
Saltito feliz e contida... feliz, mas contida.
Feliz...
O gosto acre
das azedas que nascem em toda a parte,
confunde-se com o sal
da falta que me fazes.
O teu Amor
acolho-o no meu Ser
e em lembranças presentes,
abrigadas nas palavras e gestos,
roubadas ao esquecimento.
(Sentir e Ser - 2013)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
MEMÓRIAS DO FIM
Às vezes vislumbro o fim,
repentino,
súbito!
Não é mas parece,
o fim de uma comédia.
Acabo-me!
Num sorriso imperceptivel.
(Sentir e Ser - 2012)
repentino,
súbito!
Não é mas parece,
o fim de uma comédia.
Acabo-me!
Num sorriso imperceptivel.
(Sentir e Ser - 2012)
INDAGADOR DO NADA
Se nada há,
o que há?
Deixa de haver,
tudo
se
esfuma.
Ficamos num chão sem chão,
numa vertigem sem vertigem,
num aqui
que
não há...
Por aqui danço, danço no abismo,
se abismo há e se há dança,
outras falas, tons e sons
principiam.
E deles nascem
coisas...
que talvez não sejam nada!
Respiro o que não há,
num espaço onde hei ou não,
de existir,
nos múltiplos mins e eus
que sou
ou não!
(Sentir e Ser - 2012)
o que há?
Deixa de haver,
tudo
se
esfuma.
Ficamos num chão sem chão,
numa vertigem sem vertigem,
num aqui
que
não há...
Por aqui danço, danço no abismo,
se abismo há e se há dança,
outras falas, tons e sons
principiam.
E deles nascem
coisas...
que talvez não sejam nada!
Respiro o que não há,
num espaço onde hei ou não,
de existir,
nos múltiplos mins e eus
que sou
ou não!
(Sentir e Ser - 2012)
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
DO OUTONO... ainda
Outono.
Pisamos o Verão,
caduco,
em tapetes de sol
cerzidos.
Trilhamos,
na claridade
quieta
odores de terra,
húmus
chuviscado.
Silêncio
que vem,
sem quem o oiça,
trazendo o crepúsculo
sustem-se,
convoca as brumas,
asperge de orvalho
a luz
de amanhã.
(Sentir e Ser - 2011)
Pisamos o Verão,
caduco,
em tapetes de sol
cerzidos.
Trilhamos,
na claridade
quieta
odores de terra,
húmus
chuviscado.
Silêncio
que vem,
sem quem o oiça,
trazendo o crepúsculo
sustem-se,
convoca as brumas,
asperge de orvalho
a luz
de amanhã.
(Sentir e Ser - 2011)
terça-feira, 20 de setembro de 2011
SEM TÍTULO
Serei,
pássaro negro,
esvoaçante,
contra o azul
profundo,
de um céu
intenso...
(Sentir e Ser - 2011)
pássaro negro,
esvoaçante,
contra o azul
profundo,
de um céu
intenso...
(Sentir e Ser - 2011)
DO OUTONO
Cantam as árvores
despidas de vento;
nas asas das aves
voa
para longe
o
Estio.
As folhas
adormecem a terra.
Tíbio, o Sol
caduca o Verão.
Brando o calor,
no Outono tinto
colhido em cachos.
No vagaroso impregnar,
o áureo odor,
silencia.
No leito de Morpheu,
suspende a vida.
Ainda demora
que a Terra expire.
(Sentir e Ser - 2011)
despidas de vento;
nas asas das aves
voa
para longe
o
Estio.
As folhas
adormecem a terra.
Tíbio, o Sol
caduca o Verão.
Brando o calor,
no Outono tinto
colhido em cachos.
No vagaroso impregnar,
o áureo odor,
silencia.
No leito de Morpheu,
suspende a vida.
Ainda demora
que a Terra expire.
(Sentir e Ser - 2011)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
REENCONTRO
Mergulhamos no fundo de nós,
reencontramos a Luz.
Somos infinitos, livres, eternos,
no mergulho que de voo se reveste.
Unidos no Amor compassivo e livre,
somos Um com o Todo e regressamos...
despojados de conceitos e palavras duais.
Apenas o sentir...
Entregamos em contentamento o que recebemos,
não nos pertence.
É o Sublime, que nesta limitada forma,
nos silencia e inunda de quietude o coração.
(Sentir e Ser - 2011)
reencontramos a Luz.
Somos infinitos, livres, eternos,
no mergulho que de voo se reveste.
Unidos no Amor compassivo e livre,
somos Um com o Todo e regressamos...
despojados de conceitos e palavras duais.
Apenas o sentir...
Entregamos em contentamento o que recebemos,
não nos pertence.
É o Sublime, que nesta limitada forma,
nos silencia e inunda de quietude o coração.
(Sentir e Ser - 2011)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
ENTREGA
Olha-me,
olha-me longamente.
Profundamente.
Quero ver os teus olhos,
paz e brilhos de sol.
Segreda-me
palavras de Luz.
Abraço-te,
abraço-te para sempre
num abraço diluído.
Quero em ti me confundir e fluir
num tempo sem pressa.
Quero escutar os teus pensamentos
e pensar-te os meus.
Quero percorrer a noite
abraçada nos teus abraços,
partir à deriva no Céu e juntos
trazermos nos corpos,
a Luz do amanhecer.
Quero o mágico toque do Amor,
Verdadeiro e Livre.
Quero que depois de ditas e sibiladas
todas as palavras,
na plenitude de todos os gestos,
sejamos apenas nós
caminhantes descalços e livres,
unos na longa via do Amor.
(Sentir e Ser - 2011)
olha-me longamente.
Profundamente.
Quero ver os teus olhos,
paz e brilhos de sol.
Segreda-me
palavras de Luz.
Abraço-te,
abraço-te para sempre
num abraço diluído.
Quero em ti me confundir e fluir
num tempo sem pressa.
Quero escutar os teus pensamentos
e pensar-te os meus.
Quero percorrer a noite
abraçada nos teus abraços,
partir à deriva no Céu e juntos
trazermos nos corpos,
a Luz do amanhecer.
Quero o mágico toque do Amor,
Verdadeiro e Livre.
Quero que depois de ditas e sibiladas
todas as palavras,
na plenitude de todos os gestos,
sejamos apenas nós
caminhantes descalços e livres,
unos na longa via do Amor.
(Sentir e Ser - 2011)
SÊ PRIMAVERA
Vai! Sai! Encontra e saúda a Primavera,
entrega-te e descobre o teu coração,
embriaga-te da doçura terna
do cheiro da água,
do verde e das cores
que explodem em mil tons.
Embriaga-te de Vida,
ainda que seja,
pela
última
vez.
(Sentir e Ser - 2011)
entrega-te e descobre o teu coração,
embriaga-te da doçura terna
do cheiro da água,
do verde e das cores
que explodem em mil tons.
Embriaga-te de Vida,
ainda que seja,
pela
última
vez.
(Sentir e Ser - 2011)
TEMPOS DE IR
Outras Noites,
outros Tempos,
te seguirão.
Nada temas,
pensa com os teus sonhos.
Não procures arduamente
as respostas.
Todas as questões irão pairar,
e voar para longe.
Vê o Sol, começa um novo dia,
num país longínquo,
que não conhece o medo.
Fica comigo, em todos os sonhos.
Não receies, segura a minha mão,
voa comigo, ao meu lado,
esperarei por ti, sempre.
(Sentir e Ser - 2011)
outros Tempos,
te seguirão.
Nada temas,
pensa com os teus sonhos.
Não procures arduamente
as respostas.
Todas as questões irão pairar,
e voar para longe.
Vê o Sol, começa um novo dia,
num país longínquo,
que não conhece o medo.
Fica comigo, em todos os sonhos.
Não receies, segura a minha mão,
voa comigo, ao meu lado,
esperarei por ti, sempre.
(Sentir e Ser - 2011)
quinta-feira, 19 de maio de 2011
PRIMEIRO ABRAÇO
Livre, livre, livre, livre,
livre o Amor,
após o primeiro abraço.
Seremos nós tudo?
Diz com os teus olhos,
o que sentes.
Diz com os teus olhos,
no silêncio,
o que se completa no teu coração.
(Sentir e Ser - 2011)
livre o Amor,
após o primeiro abraço.
Seremos nós tudo?
Diz com os teus olhos,
o que sentes.
Diz com os teus olhos,
no silêncio,
o que se completa no teu coração.
(Sentir e Ser - 2011)
quarta-feira, 30 de março de 2011
SERES TERRA - Ode a uma Terra longínqua
Pequeno, pálido, um ponto azul...
Derivas só, numa via de poeiras.
Longe do centro, dizem-te em órbita,
no braço exterior de uma imensa espiral.
Não sei se cabes na palma da mão da Ilusão,
tu e a espiral e todas as poeiras,
exóticos e cintilantes faróis,
desta vastidão de negro.
Não sei se cabes na explicação da Razão,
tu e todos os cenários e acções,
evoluções e extinções,
deste vastíssimo vazio.
Palco sagrado, de Vida exaltante,
oceanos de brancos véus te cruzam,
cascatas vaporosas de chuvas evaporadas.
Líquido e azul preenche e ondula,
corre e atravessa ancestrais cicatrizes,
memórias de um anoso nascimento.
Gigante palco, de vida fulgurante. Sagrado!
Vestes verdes majestosos e dourados ardentes.
És corredor de todas as existências,
jardim de milhões de cores e odores
abundas de alma e ânimo de vida que flui.
Nos tempos idos, ficou a tua paisagem,
encerrados os Ciclos e as Eras.
Talvez, passadas Eras de vermelho te tingires,
inflamada e fundida na estrela que te ilumina,
sejas fugaz e refulgente recordação
em remotos universos.
Quiçá, ecos de ti ressurjam.
Num assomo de ousadia, qual navegador
num mar desconhecido, lançámos-te,
Terras de ti, além-espaço.
Náufragos errantes,
sonhámos quem nos salvasse da solidão!
Numa pioneira e complexa garrafa,
encerrámos a nossa chave.
Quão longe, quão distante no tempo?
Contornos esfumados de um mapa perdido,
fantasmas de seres cravados na eternidade,
vozes e lamentos de uma humanidade perdida.
Ecos e canções de uma Terra longínqua,
passada e em cinzas talvez dispersada.
Encerrados os Ciclos e as Eras,
perdida em tempos idos, ficou a tua paisagem
e os Seres, que de Vida, te sacralizaram!
(Sentir e Ser - 2011)
Derivas só, numa via de poeiras.
Longe do centro, dizem-te em órbita,
no braço exterior de uma imensa espiral.
Não sei se cabes na palma da mão da Ilusão,
tu e a espiral e todas as poeiras,
exóticos e cintilantes faróis,
desta vastidão de negro.
Não sei se cabes na explicação da Razão,
tu e todos os cenários e acções,
evoluções e extinções,
deste vastíssimo vazio.
Palco sagrado, de Vida exaltante,
oceanos de brancos véus te cruzam,
cascatas vaporosas de chuvas evaporadas.
Líquido e azul preenche e ondula,
corre e atravessa ancestrais cicatrizes,
memórias de um anoso nascimento.
Gigante palco, de vida fulgurante. Sagrado!
Vestes verdes majestosos e dourados ardentes.
És corredor de todas as existências,
jardim de milhões de cores e odores
abundas de alma e ânimo de vida que flui.
Nos tempos idos, ficou a tua paisagem,
encerrados os Ciclos e as Eras.
Talvez, passadas Eras de vermelho te tingires,
inflamada e fundida na estrela que te ilumina,
sejas fugaz e refulgente recordação
em remotos universos.
Quiçá, ecos de ti ressurjam.
Num assomo de ousadia, qual navegador
num mar desconhecido, lançámos-te,
Terras de ti, além-espaço.
Náufragos errantes,
sonhámos quem nos salvasse da solidão!
Numa pioneira e complexa garrafa,
encerrámos a nossa chave.
Quão longe, quão distante no tempo?
Contornos esfumados de um mapa perdido,
fantasmas de seres cravados na eternidade,
vozes e lamentos de uma humanidade perdida.
Ecos e canções de uma Terra longínqua,
passada e em cinzas talvez dispersada.
Encerrados os Ciclos e as Eras,
perdida em tempos idos, ficou a tua paisagem
e os Seres, que de Vida, te sacralizaram!
(Sentir e Ser - 2011)
DEMANDA
Demorada é a Noite
em que perdida demando
um fragmento de Luz, um farol.
Num corpo que ecoa,
de tudo o que me flui e confunde,
nas mãos que te sentem e percorrem,
sou tantas vezes brisa e mar,
cristalina gota de água salpicada,
sal e sol,
árvore e ave, folha seca e chuva,
pedra ou cor
do que vislumbras e julgas ver.
Na busca da Luz,
assumo a vastidão,
encontro a Eternidade.
Nunca morri, nunca nasci.
(Sentir e Ser - 2011)
em que perdida demando
um fragmento de Luz, um farol.
Num corpo que ecoa,
de tudo o que me flui e confunde,
nas mãos que te sentem e percorrem,
sou tantas vezes brisa e mar,
cristalina gota de água salpicada,
sal e sol,
árvore e ave, folha seca e chuva,
pedra ou cor
do que vislumbras e julgas ver.
Na busca da Luz,
assumo a vastidão,
encontro a Eternidade.
Nunca morri, nunca nasci.
(Sentir e Ser - 2011)
ECOS (sem título)
Quando avistas um pássaro,
esvoaçante no azul,
qual dos dois voa mais alto?
_______________________________
Nunca compreenderás,
os sonhos que ficaram para trás.
________________________________
Nada do que digo,
vale a pena ser lido.
________________________________
Parei,
parei tanto,
que raízes criei
e Árvore me tornei.
esvoaçante no azul,
qual dos dois voa mais alto?
_______________________________
Nunca compreenderás,
os sonhos que ficaram para trás.
________________________________
Nada do que digo,
vale a pena ser lido.
________________________________
Parei,
parei tanto,
que raízes criei
e Árvore me tornei.
FUSÃO EM CORES
ENTARDECER
Deviam proibir as andorinhas,
que me trazem passados de Verão.
Deviam proibir as andorinhas,
que me evocam véus dourados de entardecer
e me cruzam de dor o coração.
Deviam proibir os seus aguçados gritos,
que me ecoam palavras entardecidas,
brisas tépidas de pálidas estrelas lavradas
e trazem cheiros de terras idas.
Deviam proibir os seus voos,
que desenham colinas de searas selvagens,
pintam anil no céu que escurece.
De voos embriagados,
trazem a promessa de um dia novo,
lembram que se estende o oceano mar,
para lá do horizonte...
No corrupio das suas últimas partidas,
chamam por mim e recordam-me,
abruptamente,
que de um sonho inesperado despertei,
que como elas não voo com o crepúsculo,
não me banho do ar dourado do anoitecer.
Com elas, não transponho a vastidão dos mares para além do sol!
Deviam proibir as andorinhas, que me lembram a liberdade...
Deviam proibir as lágrimas, que me rolam pelo rosto...
Deviam proibir que fossemos roubados à eternidade!
(Sentir e Ser - 2011)
que me trazem passados de Verão.
Deviam proibir as andorinhas,
que me evocam véus dourados de entardecer
e me cruzam de dor o coração.
Deviam proibir os seus aguçados gritos,
que me ecoam palavras entardecidas,
brisas tépidas de pálidas estrelas lavradas
e trazem cheiros de terras idas.
Deviam proibir os seus voos,
que desenham colinas de searas selvagens,
pintam anil no céu que escurece.
De voos embriagados,
trazem a promessa de um dia novo,
lembram que se estende o oceano mar,
para lá do horizonte...
No corrupio das suas últimas partidas,
chamam por mim e recordam-me,
abruptamente,
que de um sonho inesperado despertei,
que como elas não voo com o crepúsculo,
não me banho do ar dourado do anoitecer.
Com elas, não transponho a vastidão dos mares para além do sol!
Deviam proibir as andorinhas, que me lembram a liberdade...
Deviam proibir as lágrimas, que me rolam pelo rosto...
Deviam proibir que fossemos roubados à eternidade!
(Sentir e Ser - 2011)
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